Se eu precisasse descrever com
uma palavra os sintomas da EM eu escolheria palavra bizarra. Sim, os sintomas são bizarros, desconexos e
confusos. O histórico dos sintomas da EM parece seguir um padrão; os pacientes
sentem várias coisas diferentes por um longo período de tempo, sintomas esses
que vem e vão, geralmente são fracos e acabam nos deixando confusos. Somente
após o diagnóstico é que todos esses sintomas parecem ter algum sentido. Abaixo
eu conto um pouco de como foi a minha experiência até o diagnóstico final,
acredito que muitos terão histórias parecidas.
Por volta do ano de 2011 eu
estava estudando na UFSC e estava cursando um dos semestres mais difíceis do
curso. Certo dia eu senti uma leve dormência na ponta dos dedos dos meus pés,
era algo que eu não conseguia explicar exatamente e não tinha certeza se
realmente estava sentindo isso ou se era apenas imaginação minha. A sensação
era estranha e após 15 dias havia sumido. “Ah, era coisa da minha cabeça”,
pensei e acabei não procurando um médico.
No início 2013 eu estava tendo a
vida acadêmica sonhada por muitos; transferi minha graduação para a UDESC,
iniciei um estágio em uma grande empresa e estava conseguindo acompanhar minhas
disciplinas. Porém, não estava me alimentando de forma adequada, não estava
fazendo nenhum exercício físico e, ao longo dos meses com provas e demandas
cada vez mais elevadas de trabalho, meu nível de stress se elevou
consideravelmente. Sempre me sentia muito cansado, com um peso enorme no corpo.
Mas, isso parecia não importar muito, afinal, eu estava tendo a vida acadêmica
desejada por quase todos os estudantes de engenharia. Certo dia acordei sentindo uma leve dormência
nas minhas pernas, novamente era uma sensação estranha, difícil de descrever e
estava ficando mais forte com o passar dos dias. Decidi que dessa vez deveria
conversar com um médico. Marquei uma consulta com um clínico geral que realizou
alguns exames sanguíneos e também uma radiografia da coluna. A única conclusão
que eu pude tirar de todos esses exames era de que a minha pressão arterial
estava alta, indicando que eu estava sob stress. Apenas isso, nada mais. Como
de praxe, a dormência foi embora e tudo voltou ao normal.
Passados mais ou menos dois meses
do episódio da dormência das pernas, em uma sexta-feira quando eu estava
dirigindo para o trabalho, percebi que eu não estava conseguindo ler as placas
de trânsito de forma clara. Havia sido uma semana muito estressante e cansativa,
eu não havia dormido e nem me alimentado direito. Quando cheguei à minha mesa
percebi que ao olhar para longe eu estava vendo duplicado, exatamente como na
figura abaixo:
Isso me assustou. Eu não estava
vendo embaralhado, estava vendo duplicado, algo não estava certo. Decidi marcar
uma consulta no Hospital dos Olhos de Joinville com a certeza de que o médico
iria me dizer que isso era o stress, que eu deveria descansar e praticar alguns
exercícios físicos. Porém, após o exame
o médico falou que meus olhos estavam perfeitos, sem nenhuma alteração,
indicando que o que estava acontecendo deveria ser um problema neurológico e
que eu deveria procurar um especialista e fazer uma ressonância magnética o
mais cedo possível.
Pronto, isso foi o suficiente para
eu entrar em desespero, ter certeza de que algo estava errado e que eu não
estava imaginando todos esses sintomas. Consegui marcar um neurologista e em alguns
dias eu estava com o laudo da ressonância em mãos. As imagens eram claras,
mostravam as lesões características que a EM deixa no cérebro. Quinze lesões no
cérebro e mais duas na medula, estava feito o diagnóstico: Esclerose Múltipla.
Eu sabia que após esse dia minha vida mudaria
completamente. Naquele ponto eu ainda não sabia que iria mudar para melhor,
sentia apenas medo, muito medo.
A maioria das pessoas com EM tem
um quadro com sintomas muito parecidos a esses, que vem e vão ao longo dos anos
e que não fazem muito sentido, somente após o diagnóstico é que parece que as
coisas se encaixam. Para o meu caso
ficou claro que o stress é que desencadeou os surtos, por esse motivo (e outros)
eu agora pratico yôga, me exercito e procuro meditar diariamente.
Isso significa então que você deve se
preocupar com qualquer dormência ou sintoma estranho que sentir? Cabe a você
julgar se isso pode ser ou não algo mais sério. Sob o meu ponto de vista, uma
consulta médica não fará mal a ninguém.
Sobre a minha reação e dos meus
familiares ao diagnóstico; ficará para a próxima postagem.
"Do not give up HOPE"
"Não desista da esperança"
"Do not give up HOPE"
"Não desista da esperança"
Dorothy Miller Cole

Parabéns pelo blog , será útil para muitas pessoas que dependem de informações , seu caso se parece com o meu , a forma que tudo isso aconteceu , porém não tive diplopia !!! grande abraço !!!
ResponderExcluirObrigado Valdemir. Pois é, muitas pessoas têm quadros bem similares.. abs!!
ResponderExcluirCara, eu tenho uma duvida sobre fadiga. Dizem que nao é um cansaço, mas uma coisa que te derruba mesmo. Pelo menos isso eu não trnho.
ResponderExcluirOlá Matheus, sim, no meu caso era algo que me derrubava, um peso enorme no corpo. Porém, assim que comecei a me alimentar de forma correta, a fazer exercícios e a dormir o necessário por dia, tudo isso passou. Ainda bem que você não sente isso...
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